Conhecendo Buenos Aires: o Obelisco

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Autor: Alexandre Bertolazi Categoria: Conteúdo de Marca, Turismo Tags: Argentina, Buenos Aires, Multivibe, Obelisco

Tempo de Leitura: 7 min

Buenas! O papo hoje aqui é sobre um dos principais símbolos da Argentina: o Obelisco de Buenos Aires! O famoso monumento fica na Praça da República, no cruzamento das avenidas 9 de Julio com Corrientes, e é parada obrigatória para quem visita Buenos Aires pela primeira vez.

Mesmo que já o tenha visto antes, sempre rola aquele respeito ao avistá-lo de longe. Me parte o coração só de pensar que a imponente construção quase foi demolida apenas três anos após a inauguração. Mas me adianto. Comecemos pelo princípio: toda Obra tem um Autor.

O arquiteto

O Obelisco foi projetado por Alberto Prebisch, um dos principais arquitetos do modernismo argentino – e inaugurado em 1936 para homenagear os 400 anos de instalação do primeiro assentamento espanhol no Rio da Prata, semente da capital da Argentina. O arquiteto é prata da casa, formado na Escuela de Arquitectura da Universidad de Buenos Aires em 1921, e foi um dos principais disseminadores do racionalismo europeu no país.

Sua “melhor obra”, o Cine Gran Rex também em Buenos Aires, foi criticada pela simplicidade. Olhando hoje, as linhas retas e vitral enorme parecem perfeitamente adequados a uma grande metrópole do século 21. Mas não foi lá muito bem recebido em 1937. Ainda mais em uma capital em que o art déco está presente aonde quer que se olhe. Assim, Presbich foi criticado pela falta de transcendência na construção e pela carência de valores simbólicos e históricos. Tradução: “É pouco criativo, tem um conceito efêmero, baseado em modismo e audácia. Não gostamos”.

Questionado sobre a forma, projeto e nome do Obelisco – que também segue a estética racionalista – o bem-humorado criador disse:

Foi adotada esta simples e honesta forma geométrica, porque é a forma de um obelisco tradicional. E foi chamado de “Obelisco”, porque se havia de chamar-lhe de alguma coisa. Eu reivindico para mim o direito de chama-lo de uma forma mais abrangente e genérica, como “Monumento”. – Alberto Prebisch

20 de julho de 1936, Dia da Bandeira na Praça da República. Foto: Horácio Coppola – Arquivo Municipalidad de Buenos Aires

Relação íntima com a bandeira da Argentina

A localização do Obelisco já é, por si só, uma homenagem. Ali no mesmo local onde hoje está o pináculo portenho ficava uma Igreja dedicada a São Nicolau de Bari, local histórico onde a bandeira da Argentina foi hasteada oficialmente pela primeira vez em 1812. Quando um novo plano diretor foi aprovado no início do século XX, a igreja precisou ser demolida para que fosse traçada a Av. Roque Sáenz Peña (Diagonal Norte) e para alargar a Av. Corrientes. Assim, surgiram localização, motivo e a oportunidade para que o Obelisco fosse construído.

A obra foi dirigida pela empresa alemã Siemens, e ficou pronta em tempo recorde. Em apenas 31 dias e a um custo de 200.000 pesos a construção de 67,5m de altura estava concluída. Ah, e a Iglesia de San Nicolás de Bari foi reconstruída posteriormente no bairro Recoleta.

Bandeira da Argentina e El Obelisco Foto: Hernán Piñera

De monumento odiado a símbolo do país

O novo monumento portenho sofreu duras críticas da opinião pública. Um operário morreu em meio às obras, e nos anos seguintes algumas placas da antiga cobertura externa, feita de pedra branca de Córdoba, acabaram se soltando e causando transtornos.

O Obelisco quase acabou demolido em 1939, apenas três anos depois de concluídas as obras.  O Consejo Deliberativo – Câmara de Vereadores de Buenos Aires – chegou  a sancionar o despacho nº 10.251 autorizando a derrubada com 23 votos a favor e 3 contra, alegando motivos econômicos, estéticos e de segurança pública.

Felizmente, o ato foi caracterizado como “desprovido de valor jurídico”, já que quem deve fazer este tipo de solicitação é o poder Executivo, a Prefeitura, e não o Legislativo. E assim, por um imbróglio político e uma brecha jurídica, o Obelisco escapou da demolição. Hoje ele é um amado símbolo de Buenos Aires e da Argentina, ponto de encontro das marchas políticas e comemorações futebolísticas. Um viva ao prefeito Arturo Goyeneche, que salvou o Obelisco da demolição! 😀

Por dentro do Obelisco

O Obelisco é oco e tem um mirante com quatro janelas no topo, apesar de ser fechado à visitação. No lado oeste fica uma porta que dá acesso ao interior do monumento, levando a uma escada com 206 degraus e 7 pontos para descanso. Tem um pára-raios na ponta, que não dá pra ver por causa da altura, e cujos fios correm pela parte interna da obra.

Lá em cima na salinha interna há uma caixa de ferro embutida, que dizem conter uma foto do chefe de máquinas da construção, e uma carta endereçada àqueles que derrubarem o monumento.

Av. 9 de Julio vista do interior do Obelisco

Intervenções e manifestações artísticas no Obelisco de Buenos Aires

Com tamanho destaque na vida da capital da Argentina desde sua inauguração, o Obelisco já foi protagonista de inúmeras intervenções. Em 1976 foi transformado em árvore de Natal. Em 1975 o Obelisco ganhou uma “saia”, um anel giratório com as inscrições “Silêncio é saúde” e “Mantenha Buenos Aires limpa”. E em 1998 o pessoal do Greenpeace conseguiu invadir o monumento, subir os 206 degraus e estender uma faixa “Salvem o Clima” lá de cima.

A partir dos anos 2000 os registros, até então escassos, começam a florescer. Em 2005 o Obelisco foi coberto com uma camisinha gigante, em uma ação do Dia Mundial do Combate à AIDS. Em 2007, em comemoração aos 150 anos de relações bilaterais entre os países, o monumento foi “pintado” com as cores da Argentina e da Alemanha.

Mas a mais bacana das manifestações artísticas ali concebidas – na minha opinião, claro – foi a do artista argentino Leandro Erlich.

La Democracia del Símbolo

Ele “roubou” a ponta do Obelisco e a colocou ao acesso de todos em frente ao MALBA, o Museu de Arte Latinoamericana de Buenos Aires. A intervenção propunha um diálogo do Obelisco com a população portenha, já que o monumento não foi pensado para visitação interna. E daí veio o conceito: se o público não pode subir para apreciar a vista, a vista desce até o público.

Para isso o artista criou uma réplica do topo do pináculo – que foi colocada em frente ao MALBA – com telas no lugar das janelas passando vídeos reais da vista do topo do Obelisco. E assim o Grande Público pode finalmente matar a curiosidade e descobrir como é a vista lá de cima. Enquanto isso, uma ilusão de ótica escondia a verdadeira ponta do Obelisco, dando a impressão de que ela havia realmente sido transportada para o MALBA.

Simples e genial.

Os argentinos foram pegos de surpresa

No dia em que ponta do Obelisco sumiu!

O topo (e a vista) teletransportaram-se para o MALBA…
Durante a intervenção on site do artista Leandro Erbich

E o imponente monumento portenho estará lá nos esperando – de preferência completo – com toda a sua altivez quando chegarmos com a excursão de dezembro!


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