O “excesso de êxito” está matando os destinos turísticos mais famosos do mundo

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Excesso de Êxito está matando os destinos turísticos mais famosos do mundo
Autor: Alexandre Bertolazi Categoria: Conteúdo de Marca, Turismo Tags: excesso de turistas, êxito está matando destinos turísticos, restrição, taxa para turistas

Tempo de Leitura: 6 min

A todo momento chegam notícias de cidades e locais turísticos definhando por “excesso de êxito” ao redor do mundo. São locais históricos e marcos naturais que acabam danificados – ou perdendo o encanto – em razão das hordas de turistas que vêm e vão. E no fim acaba sobrando pra UNESCO a ingrata tarefa de interferir junto aos governos para colocar ordem na bagunça. Confira alguns exemplos de destinos turísticos que sofrendo por “excesso de êxito”:

Veneza

Há tempos a bela cidade dos canais sofre com o excesso de turismo. O que há muito era temido, pode tornar-se realidade: uma cidade inteira pode acabar “perdendo seu valor”, e tornar-se só “mais um museu”, ok, a céu aberto, mas ainda um “museu”, com lotação máxima e ingresso para entrar. Desde o ano passado, o governo municipal vinha estudando maneiras de restringir a entrada de pessoas na principal praça de Veneza, que abriga a Basílica de San Marco, o Palácio Ducale, o Museu Correr e a Torre do Relógio, além de inúmeros restaurantes.

“Será um acesso controlado, pensado para determinadas horas ou determinados dias”, explicou a secretária de Turismo da cidade, Paola Mar. Ela não deu mais detalhes sobre como funcionará o sistema ou se haverá cobrança de ingresso, mas garantiu que não será estabelecido um número máximo de turistas permitidos.

Se aprovada pela Câmara Municipal, a iniciativa deve começar a ser testada até o fim de 2017. A praça San Marco fica no coração do centro histórico de Veneza e está sempre repleta de turistas, independentemente da estação, além de abrigar os principais eventos do carnaval da cidade.

A proposta de controlar os acessos no local faz parte do “Projeto de governança territorial do turismo em Veneza”, pacote que tem o ambicioso objetivo de “revolucionar” a cada vez mais difícil
relação entre os moradores locais e a massa de viajantes que invade a capital do Vêneto todos os anos.

Prefeitura de Veneza vai restringir o acesso turístico à Piaza San Marco

Barcelona

Barcelona também vem promovendo um cerco aos turistas já há algum tempo. Por ser uma das cidades mais visitadas da Europa, acaba deixando a população local com aquela sensação de que “perdeu a cidade” para os visitantes. Até então, já era recolhida uma taxa de pernoite, um imposto a mais cobrado dos visitantes que passam a noite por lá. Mas o afã de espantar os turistas (ou de arrecadar mais?) fez com que o governo municipal catalão impusesse uma nova medida: a taxa turística para excursões, uma maneira de regular as operadoras de turismo que organizam excursões para a cidade.

A ideia não é nova, já existe uma taxa de cruzeiro para passageiros de cruzeiros marítimos que aportam e desembarcam aos milhares na cidade. Porém, esta nova regulamentação deixou muitas dúvidas sobre como será aplicada. Serão taxados apenas ônibus de excursão? E quem chegar de barco? E quem chegar num barco junto com uma excursão, mas sem fazer parte da excursão? Vão cobrar de todo mundo que estiver usando bermudas? Resta aguardar pelos relatos dos viajantes que passarem por lá para saber como ficou a questão.

Barcelona aprovou recentemente uma Taxa para Turistas

Machu Picchu

O sítio arqueológico que abriga a capital do Império Inca é um dos destinos mais visitados da América do Sul. E levou um puxão de orelhas da ONU por estar operando quase à beira do colapso, especialmente nos meses de julho e agosto, período de férias do hemisfério norte. Claro, as ruínas sempre manterão sua aura imponente, capaz de levar viajantes às lágrimas ao vê-las pela primeira vez. Porém, os números demonstram uma impressionante curva crescente de procura turística pela cidade cujo último governante foi Tupac Amaru.

Em 1983, quando foi declarada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, Machu Picchu recebeu cerca de 100.000 visitantes. Em 2007, eleita uma das “Sete Maravilhas do Mundo Moderno”, o número de turistas disparou para 800.000. E em 2016, o número saltou para 1.419.507 visitantes. O crescimento acentuado fez com que a UNESCO ligasse o sinal de alerta, ameaçando o governo peruano de colocar a cidade inca na lista de Patrimônios em risco. E deu um prazo de dois anos para a melhora da gestão do monumento.

Pois bem, o prazo acabou e a notícia é boa: a UNESCO aceitou os novos esforços de gestão do governo do Peru, que impôs novas regras à visitação e que estão em vigência desde o dia 1º de julho. São elas:

– Estabelecimento de dois horários de visita: um primeiro grupo entre 6h e 12h; e um segundo grupo entre 12h e 17h30;
– Não é permitida a entrada na cidadela sem um guia;
– Cada guia pode levar um máximo de 20 pessoas;
– A entrada dá direito a permanecer apenas 4 horas dentro do sítio arqueológico;
– Durante essas quatro horas só é possível sair e entrar novamente uma vez (enquanto não forem instalados os banheiros no parque. Quando houver banheiros, não será permitido retornar após a saída).

Fotos de Machu Picchu vazia, são cada vez mais difíceis de se conseguir. Foto: Reprodução/Lonely Planet

Possíveis soluções para o excesso de êxito turístico

Como vemos, a primeira reação das instituições e governos é “restringir o acesso”, “aumentar taxas” e “impor dificuldades” aos turistas. São medidas paliativas, que podem até dar uma certa resposta inicial, mas que não combatem a raiz do problema. Algo mais deve ser feito além de “calendário de visitas”, “agendamentos prévios” ou “número limitado de visitantes”.

E qual é a raiz do problema? – você pergunta. É importante otimizar e racionalizar a quantidade de pessoas que visitam simultaneamente um lugar, e também gerar receita para preservar e investir neste mesmo lugar, mas…

A raiz do problema é educar o turista. Cabe às agências, operadoras e guias de turismo orientar seus passageiros sobre as boas práticas de visitação, sobre como ser um viajante responsável e não só mais um turista sem noção.

Cabe também ao próprio turista fazer o dever de casa, pesquisar o máximo possível sobre os destinos que vai visitar, as dificuldades e contratempos que pode encontrar, as facilidades que estão à disposição. Assim, o turista sabe exatamente o que esperar e, principalmente, sabe como se comportar.

Quando se lida com culturas diferentes da nossa, é indispensável que o viajante compreenda a visão de mundo da população local, e entenda que ele é um estrangeiro.

Tendo isso em mente – e agindo de acordo – a experiência se torna mais rica, mais profunda. E, porquê não? – mais respeitosa. Afinal, quando você visita um lugar, quem tem que ficar diferente depois da visita é você, e não o lugar por onde passou!

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